Aulas, Arquitetura, em teoria.- Um pouco do começo de tudo,…


Nas próximas linhas seguirá o artigo base para o primeiro vídeo do nosso canal no Youtube, “Arquitetura, em teoria”.


O tema de hoje será uma pequena evolução histórica da teoria e da crítica arquitetônica.


Lembrando que Teoria é algo que tende a proposição de ideias e conceitos, a teoria sempre teve como um dos temas a definição da própria disciplina da Arquitetura. Já a crítica se utiliza da teoria como fundamento, um meio de estabelecer critérios de análise para assim ler, analisar, compreender e apresentar a Arquitetura estabelecida.


De forma simplificada a Teoria fundamenta e a Crítica analisa, um vem antes e o outro logo depois do edifício. Mas mesmo assim se entrelaçam demais. Com isso revisto, vamos ver a História da Teoria e da Crítica em Arquitetura.


Tudo começa com Vitrúvio, o construtor romano que em seus dez livros de arquitetura apresentou, explicou e ensinou a fazer a arquitetura do século I a.c..


Durante os anos do renascimento na Europa houveram tratados como de Alberti, Palladio, entre outros. Mas não exatamente uma crítica ou uma teoria da arquitetura propriamente dita.


De fato foi a partir da segunda metade do século XVIII, a partir do período que conhecemos por Iluminismo que tanto teoria quanto crítica começaram a tomar forma.


Deste momento histórico podemos citar Denis Diderot e Francesco Milizia que trouxe algumas teorias que foram embasadas pela filosofia de Emmanuel Kant. Que por sua vez serviram de base para a Arquitetura Neoclássica. Ou seja tudo foi-se complementando em plena era da razão cartesiana.


Eles e outros, como Gottfried Semper, seu antecessor Carlo Lodoli, Eugene-Emmanuel Viollet-le-Duc, William Morris, Alois Riegl, Wilhelm Worringer, e muitos outros…


Esta lista longa de autores e pensadores iluministas criaram meios e métodos de se analisar algo racionalmente, da análise da história criou-se métodos de restauração, de escavação arqueológica, de leitura das artes, das pinturas, das esculturas e também da arquitetura. Nesta época criamos os museus, e novas ciências graças a razão.


Esta constante inovação consoou com a revolução industrial e suas máquinas a vapor. Durante o século XIX com a segunda revolução industrial, o advento da compactação dos motores a vapor, motores a combustão surgindo, a eletricidade também, tivemos Charles Darwin e suas viagens e relatos que exemplificam a ideia de que o Homem pode entender a natureza racionalmente, porque não dobrá-la a seu modo.


Deste início muitos se sucederam com grande frequência, por exemplo Semper, estudou Milizia que por sua vez deu continuidade a discussões e métodos de Carlo Lodoli. E depois de Semper tivemos Adolf Loos e Mies van der Rohe.


Neste período houve o início de toda a crítica e teoria, com nomes e trabalhos surgindo quase que de forma exponencial. Enfim tem muito mais de onde saiu isso tudo, entender a fundo estas épocas é demorado, talvez precisemos de mais vídeos retomando os detalhes desta evolução…


Com isso pulamos para o início do século XX, com a efervescência de toda era da razão culminando em uma busca industrial para a Arquitetura, daí temos a tríade racional moderna, Walter Gropius, Ludwig Mies van der Rohe e Charles Edouard Jeanneret, vulgo Le Corbusier.



O primeiro, junto de outros nomes, fundou a Bauhaus, a famosa escola onde nasceram os principais conceitos do desenho industrial. Lá houve uma busca pela racionalidade, pela reprodutibilidade, pela simplificação da forma, pela industrialização da arte.


O segundo, Mies van der Rohe, trouxe uma racionalidade ligada ao minimalismo formal, e desenhos incrivelmente detalhados. Com seu extenso uso de vidro e transparências Mies deu forma a conceitos vindos de Riegl, Worringer, Wölfflin e Panofsky. A possibilidade de um espaço infinito trazido pela transparência do vidro.


Já o terceiro, Le Corbusier, o famoso… ele simplesmente tomou para si a modernidade, traçou regras, métodos, dogmas por meio de manifestos evocando a máquina, seja ela a moradia seja ela a cidade.


Os três fizeram as suas críticas a Arquitetura Neoclássica do século anterior ao proporem suas ideias e opções formais. Formas simples, sem volutas nem pastiches., extremamente racionais. Realmente acreditavam que suas ideias seriam eternas e definitivas.


Já nos Estados Unidos, um arquiteto chamou a atenção, este foi Frank Lloyd Wright. Que apesar de pensar em formas racionais e simples, tinha uma preocupação com a organicidade do edifício e sua inserção no meio, seja na malha urbana ou seja em cima de uma cachoeira.


Tanto procurar entender os arquitetos racionalistas europeus quanto o organicista estadounidense é algo que demanda muito aprofundamento, e uma serie específica de vídeos.


A proposta de vídeos curtos e leves, é levar você que nos assiste a entender um pouco do que é a Arquitetura, e porque “Tudo é Arquitetura, mas nem tudo é”. E claro compreender o Hoje da Arquitetura, afinal a história serve para entender o presente.


Por isso, deixem nos comentários se seria interessante o aprofundamento na modernidade. Quem sabe não revisamos isso juntos e falamos mais um pouco do modernismo.


Ah sim, lembrando vocês que estes videos são trazidos ao canal toda semana, e claro, se gostou do vídeo é só Curtir, Compartilhar e se inscrever no canal…


Até mais,


Bibliografia

GUARINO, Alexandre Dias. Anyone Corporation: Debates e Produção Teórica nas Conferêncis “Any” (de 1991 a 2000), 2020. Dissertação (Pós-graduação em Arquitetura e Urbanismo, Fundamentação e Crítica) - Universidade Presbiteriana Mackenzie, São Paulo, 2020.

MONTANER, Josep Maria. Arquitetura e Critica. [S. l.]: Gustavo Gili, 2016. 160 p. ISBN 8584520147.

MONTANER, Josep Maria. As formas do século XX. 1. ed. Barcelona/ Espanha: Gustavo Gili, 2002. 264 p. ISBN 8425218972.

MONTANER, Josep Maria. Depois do Movimento Moderno. Barcelona/ Espanha: Gustavo Gili, 2015.

NESBITT, Kate (org.). Uma Nova Agenda para a Arquitetura: Antologia teórica 1965-1995. 2. ed. São Paulo/SP: Cosac & Naify, 2008.

SYKES, A. Krista (org.). O Campo Ampliado da Arquitetura: Antologia Teórica 1993-2009. - Coleção Face Norte. 1. ed. São Paulo/SP: Cosac & Naify, 2013. 416 p. ISBN 8540502895.

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