Discrição, Tranquilidade e Reforma: Uma Intervenção Simples e Marcante - originalmente publicado em 03.03.2015.

Aproveitando para visitar a exposição de Ron Mueck acabamos por visitar a Pinacoteca do Estado. Confesso ter sido minha primeira visita a esta obra, logo não a vi com olhos viciados, pude aproveitar a percepção do primeiro encontro, da novidade, se bem que após anos seguidos de publicações a respeito não há como dizer que não haviam expectativas envolvidas.

Primeiramente, devo ressaltar minha demora devido ao fato de não apreciar as obras de Paulo Mendes da Rocha. Mas enfim, não é uma crítica ao arquiteto ou sua forma de abordar a arquitetura como um todo, e sim sobre as relações simbióticas que esta obra em particular apresenta com seu entorno.

Em 1897 o arquiteto Ramos de Azevedo projeta este edifício seguindo os costumes arquitetônicos de sua época, destinado ao Liceu de Artes e Ofícios. Em 1993 seu uso foi trocado, sendo destinado à Pinacoteca do Estado de São Paulo, seu uso foi consolidado com a intervenção de Paulo Mendes da Rocha, em 1993 concluída em 1998, na qual trocou acessos, instalou elevador de carga e acesso as Pessoas com Necessidades Especiais, passarelas foram instaladas em seus átrios e os mesmos cobertos por claraboias translucidas.

Esta intervenção é que acaba por ser o objeto da análise.

O acesso principal ao ser transferido da Avenida Tiradentes para a Rua... reforça um caráter mais contemporâneo, valorizando a ligação com o Metrô e as linhas de trem na Estação da Luz, cruzando a rua. Isto realmente conta ponto ao falarmos de simbiótica.

Toda a circulação interna foi coordenada para ser predominantemente periférico, o que valoriza o percurso da exposição, sem desmerecer as áreas centrais e seus usos. Há dois pontos interessantes a abordar, o elevador que marca o histórico com algo destacadamente novo e as passarelas fornecendo novo uso a um espaço antes sem uso, os átrios secundários do edifício. Isso reforça a compreensão da intervenção, isto diz, “Há algo novo aqui!”.

A cobertura plana nos átrios, não causa influência externa, logo de fora não há como saber de sua existência sem acessar o prédio. Até agora poderíamos demonstrar uma relação comensalista, como quase todas as reformas deste porte, porém ao notarmos a discrição quando olhamos de fora poderíamos cogitar uma relação Neutralista, algo raríssimo.

Como já vimos, alguns edifícios acabam por apresentar mais de uma tendência de relação ecológica, este é um caso claro disto, mas como observado anteriormente, a mudança de acesso configura um relacionamento mais participativo com o entorno, neste caso estamos falando de um Ser Arquitetônico o qual realiza Comensalismo.

Devo dizer, um pouco a contragosto, que Paulo Mendes da Rocha sabe fazer reformas e intervenções em edifícios existentes apresentando uma relação simbiótica muito bem feita e discreta.

Ficha Técnica:

                    • Arquitetos: Francisco de Paula Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi e Paulo Mendes da Rocha;
                    • Localização: Praça da Luz, São Paulo-SP - Brasil;
                    • Ano do Projeto: 1897, reforma 1988;
                    • Ano de Conclusão: 1900, reforma 1998;
                    • Fotografias: z!Arquitetura, Nelson Kon entre outros.

Bibliografia – Sítios de Consulta. Acesso: 02 mar. 2015.

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