Discrição, Tranquilidade e Reforma: Uma Intervenção Simples e Marcante - originalmente publicado em 03.03.2015.
Primeiramente, devo ressaltar minha demora devido ao fato de não apreciar as obras de Paulo Mendes da Rocha. Mas enfim, não é uma crítica ao arquiteto ou sua forma de abordar a arquitetura como um todo, e sim sobre as relações simbióticas que esta obra em particular apresenta com seu entorno.
Esta intervenção é que acaba por ser o objeto da análise.
O acesso principal ao ser transferido da Avenida Tiradentes para a Rua... reforça um caráter mais contemporâneo, valorizando a ligação com o Metrô e as linhas de trem na Estação da Luz, cruzando a rua. Isto realmente conta ponto ao falarmos de simbiótica.
Toda a circulação interna foi coordenada para ser predominantemente periférico, o que valoriza o percurso da exposição, sem desmerecer as áreas centrais e seus usos. Há dois pontos interessantes a abordar, o elevador que marca o histórico com algo destacadamente novo e as passarelas fornecendo novo uso a um espaço antes sem uso, os átrios secundários do edifício. Isso reforça a compreensão da intervenção, isto diz, “Há algo novo aqui!”.
A cobertura plana nos átrios, não causa influência externa, logo de fora não há como saber de sua existência sem acessar o prédio. Até agora poderíamos demonstrar uma relação comensalista, como quase todas as reformas deste porte, porém ao notarmos a discrição quando olhamos de fora poderíamos cogitar uma relação Neutralista, algo raríssimo.
Devo dizer, um pouco a contragosto, que Paulo Mendes da Rocha sabe fazer reformas e intervenções em edifícios existentes apresentando uma relação simbiótica muito bem feita e discreta.
Ficha Técnica:
- Arquitetos: Francisco de Paula Ramos de Azevedo, Domiziano Rossi e Paulo Mendes da Rocha;
- Localização: Praça da Luz, São Paulo-SP - Brasil;
- Ano do Projeto: 1897, reforma 1988;
- Ano de Conclusão: 1900, reforma 1998;
- Fotografias: z!Arquitetura, Nelson Kon entre outros.





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