Simbiótica Básica: A relação entre os seres vivos artificiais. – originalmente publicado em 14.11.2014.

Após esta breve introdução da ecologia e arquitetura, mostra-se necessário a definição de um conceito, antes de qualquer coisa, o "Ser Arquitetônico", este se trata do objeto arquitetônico quando em uso, ou seja, em plena vida.

Quando em vida aí podemos analisar sua ecologia, sua simbiótica.

No caso da arquitetura, esta ecologia que vimos pode ser identificada e catalogada por um método simples de análise, considerando os conceitos abordados, partido adotado, terreno e seus entornos imediatos e/ou próximo, tipologias próximas, arborização e vegetação, usos do entorno, uso desejado, relatórios de uso e ocupação, análise de pós-ocupação, enfim, inúmeras variáveis devem ser consideradas ao realizar uma análise simbiótica.

Com base nas variáveis é possível classificar como simbioses positivas ou negativas, e suas devidas subdivisões. Relembrando, no âmbito das relações positivas podemos adotar: Neutralismo, Comensalismo, Inquilinismo, Protocooperação e Mutualismo. Na esfera das relações negativas, Predatismo, ou Predação, e Parasitismo.

Analogamente o redesenho destas relações nos levam a interpretá-las como exposto a seguir:

  • Neutralismo - na arquitetura pode ser visto como algumas das obras mais situacionistas que conhecemos, àquelas que mimetizam o seu entorno minimizando ao máximo o impacto ao meio no qual se implanta. Como exemplo, podemos citar as residências em bairros residenciais, onde a edificação de mais uma não causa efeito ao entorno imediato nem em nenhuma outra esfera de análise. É mais um elemento horizontal em meio a uma paisagem igualmente horizontal, de forma que sua presença se torna quase imperceptível. Muitos dos edifícios na Eggum Tourist Route, na Noruega (foto ao lado) procuram fazer uma integração com a paisagem de seu entorno, demonstrando pouca distinção com o meio.
  • Inquilinismo - é um tipo específico de Comensalismo, neste caso podem ser citados edifícios que usam da infraestrutura existente, da mesma forma que o comensalismo tradicional, porém o uso dos edifícios existentes se torna obrigatório para caracterizar este caso. O uso dos restos espaciais das edificações abandonadas ou esvaziadas servem de base para edifícios de usos vários, que são criados a partir destes restos, destes monumentos ou simplesmente espaços subutilizados, também podemos citar expansões onde há o anexo de partes distintas esteticamente. Neste ponto encontramos Arquiteturas como o Gasômetro de Viena (foto ao lado), por exemplo, onde foi mantido o externo, e ocupado internamente, com edifícios de uso múltiplo.
  • Comensalismo - na Arquitetura, é caracterizado por edifícios que se instalam em um determinado local, usam das infraestruturas, tiram proveito e partido do local e seu entorno, sem degradá-lo nem depreciá-lo, buscando uma simbiose quase que perfeita com o meio no qual se insere. Podemos ver exemplos em arquiteturas onde há a mesma integração que o mutualismo, porém caso haja a remoção deste Ser Arquitetônico, o local continua aberto a outros usos, não há a dependência da arquitetura e do meio.
  • Protocooperação - esta é uma associação facultativa, ou seja, não obrigatória, mas que quando ocorre provem mutuo beneficio ao ser arquitetônico e ao entorno, ou mesmo outro ser arquitetônico. Edifícios com usos distintos, que podem se beneficiar de ligações de uso, ambiente, enfim, algo que se e quando usado gera benefícios a ambos.  
  • Mutualismo - considerado a simbiose perfeita, se trata de uma arquitetura que depende dos elementos que compõem o seu entorno, topografia, edifícios vizinhos, infraestrutura existente, relações de uso, entre outros fatores. Esta dependência é o que qualifica a sua existência, ou seja, só existe arquitetura devido às outras arquiteturas, ao seu terreno, uso e entorno. Neste caso há a total dependência do meio no qual este ser arquitetônico se insere, não sendo possível a existência de uma arquitetura sem real integração com o meio, e dependência dos usuários, que no caso conferem função e justificam a existência da arquitetura. Algumas arquiteturas temporárias, como os pavilhões da Serpentine Gallery em Londres (foto ao lado), podem se enquadrar neste caso, pois muitas delas surgem para um determinado lugar com uma determinada função específica para o espaço de inserção. Também as arquiteturas onde a população faz uso intenso, agregando valor de identidade ao edifício, fazendo com que ele seja parte integrante do meio social.
  • Parasitismo - neste caso não percebemos de imediato a destruição do entorno, nem da identidade local, o prejuízo de sua relação só é notado ao longo do tempo, sendo perceptível somente quando de análises e estudos mais apurados e pontuais, por exemplo, estudos de pós-ocupação. Neste caso temos edifícios que trazem prejuízos de insolação, uso, valor imobiliário, entre outros fatores. Por exemplo, edifícios que possuíram seu uso modificado, porém este uso causou alguma perda para o local, seja urbanística ou de convívio social, tal perda pode ter se equilibrado, porém as sequelas permanecem.
  • Predatismo - no caso um edifício ou espaço que é possível caracterizar como Predador tem-se uma Arquitetura que, por exemplo, destrói a identidade local, substitui o antigo e significativo pelo novo e sem relações com o entorno, prejudicando a vida social que existe em um determinado local para assim fazer valer a sua existência. Desta forma edifícios que promovem um novo uso que por sua vez acaba por gerar gentrificação imediata do espaço, como já ocorre em Bairros de São Paulo, é caracterizado como um predador, como na foto ao lado.

Nas semanas seguintes, de fato, será apresentado uma série de estudos de caso, identificando-os nestas relações acima descritas, e explicando, logicamente, o porquê de se enquadrarem em casa caso.

A simbiótica começa a fazer sentido.

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