"Polis Urbanus": Ou seja, nosso caos de cada dia. – originalmente publicado em 08.10.2014

William J. Mitchell(1) tem um baelo texto sobre a evolução das cidades, embora simples, reflete bem como e por que nos aglomeramos nestes centros urbanos. Leonardo Benevolo(2) por sua vez discorre por detalhes infindáveis como esta evolução urbana ocorreu. No nosso caso vamos nos ater a versão simplificada de Mitchell.

“Há muito tempo atrás havia um vilarejo deserto com um poço ao centro. As habitações aglomeravam-se a um distancia que permitia a qualquer um carregar uma jarra d’água confortavelmente até sua casa. No frescor da tarde, as pessoas iam até o poço pegar o suprimento de água do dia seguinte e demoravam-se lá, batendo papo e fazendo negócios. O poço constituía um recurso necessário e escasso, e, cumprindo essa função, transformava-se em um centro social – o lugar de reunião que mantinha a comunidade unida.” (MITCHELL, 2002)

Com a água encanada, criamos outros espaços para a vida social, ágoras, fóruns, basílicas, templos, praças, bibliotecas, etc. No fim das contas Mitchell nos reapresenta o fato de somos seres sociais, temos a necessidade de nos relacionarmos, seja para gerar uma Urbe ou uma Polis, o importante é o relacionamento a conexão entre as pessoas apesar de termos tudo on-line agora.

Mesmo com uma vida digital continuamos a nos relacionar da forma descrita na ecologia, somos até mesmo nossos próprios predadores, não buscamos nos alimentar fisicamente uns dos outros, afinal isso seria canibalismo, mas o fazemos intelectualmente, construindo meios de realizar uma coerente troca de necessidades. O comércio.

Este comércio por sua vez, seja de mercadoria seja de mão de obra representa nossa necessidade por estabelecer relacionamentos, no caso não vou me estender senão teria de citar Marx entre outros.

Como o tema é relacionamento, o conceito de Polis se torna o mais usual, pois com isso temos uma cidade mais democrática, mais aberta, menos fechada e controlada, mais política.

Política, não oficialmente, a arte de estabelecer relações, a arte de administrar vontades diversas, a arte de realizar conexões entre os atores de nossa vida urbana.

Notas Bibliográficas:

  1. e-topia, Mitchell, William J. Ed. Senac, São Paulo, 2002.
  2. Leonardo Benevolo, historiador renomado.

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